Arqueu

Mário Quintana…

Publicado em Poesias por Arqueu em 31/01/2011

Bar

No mármore da mesa escrevo
Letras que não formam nome algum.
O meu caixão será de mogno,
Os grilos cantarão na treva…
Fora, na grama fria, devem estar brilhando as gotas
pequeninas do orvalho.
Há sobre a mesa, um reflexo triste e vão
Que é o mesmo que vem dos óculos e das carecas.
Há um retrato do Marechal Deodoro proclamando a República.
E de tudo irradia, grave, uma obscura, uma lenta música…
Ah, meus pobres botões! eu bem quisera traduzir, para vós,
uns dois ou três compassos do Universo!…
Infelizmente não sei tocar violoncelo…
A vida é muito curta, mesmo…
E as estrelas não formam nenhum nome.

Mario Quintana
(1906-1994)

Afinal, O Que Querem As Mulheres, por André Newmann…

Publicado em Cinema, Literatura por Arqueu em 30/01/2011

Vinte mulheres, vinte respostas diretas (do queixo para o estômago):

“Por gentileza, afinal, o que querem as mulheres?”

1. “Eu quero me aclimatar.”

2. “Nós somos inchocáveis!”

3. “Trinta ao mesmo tempo…”

4. “Poder querer.”

5. “Eu acho que eu não sei se eu sei, mas eu só acho…”

6. “Como estamos sendo vistas?”

7. “Eu tô totalmente na sua…”

8. “Mas eu não sou mulher!”

Chagall - PromenadeChagall – Promenade

9. “Quero ser fluida como um deserto…”

10. “Incluindo o futuro? Ou o passado?”

11. “Menos mil perguntas.”

12. “Deslocar o ar…”

13. “Apenas pênis.”

14. “Uma crista redentora.”

15. “Brincar de coração.”

16. “Estar suada e feliz.”

17. “Não precisar mais ter de matar uma Fênix por dia para provar nada para ninguém…”

18. “Usar cavanhaque.”

19. “E se eu mudar de idéia?!?”

20. “Não lembro…”

É do blog do André Newman…

Publicado em Cinema, Literatura por Arqueu em 30/01/2011

Estou aqui transcrevendo as centenas de entrevistas que faço pela cidade. Observanessa, perceberenice, arriscamila… Afinal, o que querem as mulheres? “Um mundo cor de rosa”, “o amor da vida”, “respeito”, “uma plástica”, “paz”, “dinheiro”, “tudo de bom”, …  São infinitas respostas, a pergunta está soterrada. É pouca pergunta pra tanta resposta. Compartilho algumas pérolas, um Top 3 dos últimos dias…

Banksy - artista inglêsBanksy – artista inglês

1. Uma Senhorinha, muito simpática, ao me ver com o gravador perguntou: “É pra tv? É Globo?”. Desfiz a confusão, expliquei a tese e perguntei se ela se incomodaria de me responder. “Claro, meu filho, claro…”. Liguei meu gravador, ela arrumando o cabelo… “Sra., afinal, o que querem as mulheres?”. Passou batom, olhou no espelhinho, fechou o último botão do casaquinho… “Pode repetir, meu filho?”. “O que vocês, as mulheres, querem?”. “Ah… É isso? Amor, meu filho! Amor…”. Retruquei: “De quem? Pra que? Por que?”. A Senhorinha simpática de Copacabana, já retomando seu caminho, explicou: “Meu filho, amor é status…”

2. Me aproximei de um casal e perguntei para ELA se poderia fazer uma pergunta. ELE disse que não. Respondi que a pergunta era para ELA. ELE, agressivamente, me disse que era ELE quem mandava ALI. ELA abaixou a cabeça. EU abaixei a cabeça. “Respeito”, “direitos iguais”, “amor da vida”, “rico e jovem, mas não pode ter pau pequeno”, …

3. Uma moça lá na universidade: “Nós queremos o homem perfeito, mas a gente sabe que ele não existe, mas mesmo assim a gente quer e continua procurando, mesmo sabendo que não tem, isso não importa, importa o que a gente quer, entendeu?”

(André Newmann)

Publicado em Clínica geral por Arqueu em 30/01/2011

Fernando Pessoa

Publicado em Poesias por Arqueu em 19/01/2011

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

(Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos”, 8-3-1914)

- – - – - – -

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!…

(Alberto Caeiro, em “O Guardador
de Rebanhos”
.)

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