Rainer Maria Rilke
Sim, foi ele um poeta. Lembro de ler, não sei onde, o seguinte: aprenda a guerra, para que seus filhos saibam a engenharia e os filhos de seus filhos a medicina e os filhos dos filhos de seus filhos sejam livres e aprendam a arte. Não conheço a genealogia de Rilke, mas sei que ele foi amante, por muitos anos, de uma que deve ter sido a mais formidável das mulheres, a russa Lou Andreas-Salomé. Nietszche por ela fora apaixonado e Freud contou com suas cartas para formatar sua teoria da psicanálise; mas foi Rilke que a transformou em musa inspiradora e fez cama quente aquela mulher-poesia. Uma ex-namorada minha, nitroglicerina pura, me mandou, certa vez, quando estava desarmado e o coração do lado de fora (incauto e curioso) um papel colorido em letra esmerada estilizada com perfume obsession dizendo: “Ela fez um círculo que me excluia, hermético, fechado, objeto de escórneo. Mas o amor e eu soubemos vencer: fizemos um círculo que a incluia.” Cruel, viceral, a poesia é muito poderosa.
É de Rilke:
“O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem.”
“As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.”
“Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade.”
“O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.”
“Quem, se eu gritasse, em meio à legião de anjos, me ouviria?”
“Tudo quanto é velocidade não será mais do que passado, porque só aquilo que demora nos inicia.” (lindo!)
“Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores / que se estendem sobre as coisas. / Talvez não possa acabar o último, / mas quero tentar.”
Diria, de atrevido, só mais uma coisa: a arte boa é viceral, como o livro que sangra.
Vai aí uma imagem do grande poeta:

Nelson Rodrigues…
“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”
Grisha Parelman…

Poincaré criou um problema matemático (conjectura de Poincaré) que durou um século. Uma sociedade classificou o problema com um dos sete enigmas matemáticos do milênio e ofereceu um milhão de dólares para a mente que o fizesse. O homem que o resolveu não era conhecido no meio científico. Surpresa geral e o primeiro grande acontecimento matemático do Séc. XXI foi premiado com um milhão de dólares. O ganhador, o russo Grisha Parelman, recusou a medalha e até hoje não foi receber o dinheiro, dizendo não fazer sentido algum. Continuou com sua vida tranquilo e calma, como vivem os regatos e as árvores. Foi um gesto de um gênio, totalmente fora do senso comum, que merece ser refletido. Sobre a curiosidade do mundo sobre si, disse:
“Eu não acho que eu seja de interesse público, eu não falo isso por causa da minha privacidade, não tenho nada a esconder. Só acho que o público não deve se interessar por mim Jornais deveriam ter mais discernimento sobre o que publicar, deveriam ter mais requinte. Até onde eu sei, não ofereço nada que acrescente à vida dos leitores. Publiquei meus achados. É isto que ofereço ao público.” Grigori Yakovlevich Perelman (Grisha Perelman)
Seria correto dizer: para que serve a fama e o excesso de dinheiro quando o espírito tem o universo?
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