Arqueu

Rainer Maria Rilke

Publicado em Literatura por Arqueu em 08/02/2011

Sim, foi ele um poeta. Lembro de ler, não sei onde, o seguinte: aprenda a guerra, para que seus filhos saibam a engenharia e os filhos de seus filhos a medicina e os filhos dos filhos de seus filhos sejam livres e aprendam a arte. Não conheço a genealogia de Rilke, mas sei que ele foi amante, por muitos anos, de uma que deve ter sido a mais formidável das mulheres, a russa Lou Andreas-Salomé. Nietszche por ela fora apaixonado e Freud contou com suas cartas para formatar sua teoria da psicanálise; mas foi Rilke que a transformou em musa inspiradora e fez cama quente aquela mulher-poesia. Uma ex-namorada minha, nitroglicerina pura, me mandou, certa vez, quando estava desarmado e o coração do lado de fora (incauto e curioso) um papel colorido em letra esmerada estilizada com perfume obsession dizendo: “Ela fez um círculo que me excluia, hermético, fechado, objeto de escórneo. Mas o amor e eu soubemos vencer: fizemos um círculo que a incluia.” Cruel, viceral, a poesia é muito poderosa.

É de Rilke:

“O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem.”

“As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.”

“Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade.”

“O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.”

“Quem, se eu gritasse, em meio à legião de anjos, me ouviria?”

“Tudo quanto é velocidade não será mais do que passado, porque só aquilo que demora nos inicia.” (lindo!)

“Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores / que se estendem sobre as coisas. / Talvez não possa acabar o último, / mas quero tentar.”

Diria, de atrevido, só mais uma coisa: a arte boa é viceral, como o livro que sangra.

Vai aí uma imagem do grande poeta:

Nelson Rodrigues…

Publicado em Literatura por Arqueu em 05/02/2011

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”

Grisha Parelman…

Publicado em Clínica geral por Arqueu em 05/02/2011

Poincaré criou um problema matemático (conjectura de Poincaré) que durou um século. Uma sociedade classificou o problema com um dos sete enigmas matemáticos do milênio e ofereceu um milhão de dólares para a mente que o fizesse. O homem que o resolveu não era conhecido no meio científico. Surpresa geral e o primeiro grande acontecimento matemático do Séc. XXI foi premiado com um milhão de dólares. O ganhador, o russo Grisha Parelman, recusou a medalha e até hoje não foi receber o dinheiro, dizendo não fazer sentido algum. Continuou com sua vida tranquilo e calma, como vivem os regatos e as árvores. Foi um gesto de um gênio, totalmente fora do senso comum, que merece ser refletido. Sobre a curiosidade do mundo sobre si, disse:

“Eu não acho que eu seja de interesse público, eu não falo isso por causa da minha privacidade, não tenho nada a esconder. Só acho que o público não deve se interessar por mim Jornais deveriam ter mais discernimento sobre o que publicar, deveriam ter mais requinte. Até onde eu sei, não ofereço nada que acrescente à vida dos leitores. Publiquei meus achados. É isto que ofereço ao público.” Grigori Yakovlevich Perelman (Grisha Perelman)

Seria correto dizer: para que serve a fama e o excesso de dinheiro quando o espírito tem o universo?

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